Os paradoxos do olhar: encontros entre humanos e animais na literatura

Keily Martins Francisco & Heloísa Helena Siqueira Correia

Resumo


O presente trabalho objetiva analisar aspectos do romance Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), de Mia Couto, e o conto “O búfalo”, de Clarice Lispector, tendo como foco a troca de olhares entre humanos e animais e o que essa experiência causa/desperta nas personagens humanas. Procederemos a uma análise ancorada principalmente em Jacques Derrida que, na obra O animal que logo sou (2002), relata a experiência de ter se surpreendido por seu gato o observando nu. Diante do olhar animal, o filósofo questiona a si mesmo e confessa sentir vergonha. No mesmo sentido, as personagens de Couto e Lispector vivenciam encontros intensos com a animalidade. A partir da leitura de Derrida questiona-se: o que essa experiência causa nas personagens? A reflexão que se desenvolve relaciona-se com as teorias da narrativa, particularmente lançando mão das contribuições dos textos O ponto de vista na ficção (2002), de Norman Friedman, e A ascensão do romance (1990), de Ian Watt. Dialoga-se, ainda, com considerações teóricas específicas de pesquisas sobre a presença animal na literatura, em particular com o trabalho de Maria Esther Maciel (2011).

PALAVRAS-CHAVE: Animal; Olhar; Literatura; Mia Couto; Clarice Lispector; Jacques Derrida.


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