Entre Índices E Sentimentos: Notas Sobre A Ciência Do Bem-Estar Animal

Graciela Froehlich

Resumo


O relatório do Comitê Brambell (1965) é até os dias de hoje reconhecido por definir o bem-estar animal através do respeito às chamadas “cinco liberdades” aos animais: os animais devem estar livres de fome e de sede; livres de desconforto; livres de dor, de maus-tratos e de doenças; livres para expressar seu comportamento natural e livres de medo e de tristeza. Entretanto, deixou como legado também um pedido aos cientistas – veterinários, zootecnistas, biólogos – para que voltassem suas pesquisas ao tema do bem-estar animal a fim de definir o termo com maior precisão e desenvolver índices e parâmetros para que as condições em que vivem os animais, especialmente aqueles criados com fins alimentares, pudessem ser melhor avaliadas e mensuradas (Brambell et al, 1965, p.10). Como demonstrou Kirk (2014), o bem-estar animal foi gradualmente reconfigurado de um conceito político-filosófico para um conjunto de práticas fundamentado nas ciências (Kirk, 2014, p.252). Neste artigo me dedico a pensar em alguns dos desdobramentos na reconfiguração científica do bem-estar animal, que tem como marco o relatório do Comitê Brambell citado acima. A partir de dois relatos sobre pesquisas em bem-estar animal, reflito também sobre os sentidos que adquirem termos como indivíduo, ambiente e interação na ciência do bem-estar animal

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